Aspectos Culturais dos povos kinikinau
Os Kinikinau vivem, sobretudo, da atividade agrícola, falam correntemente
uma língua filiada à família lingüística Aruak, assim como os Terena, e também
se comunicam em Língua Portuguesa.
A Dança do Bate-Pau, também existente entre os Terena, é realizada
atualmente em importantes eventos para os Kinikinau (Festa do Dia do Índio e
outras comemorações). Relembrando a participação do grupo na Guerra do Paraguai , a dança é executada por homens e mulheres de várias idades, de
crianças a idosos. Toca-se flauta e tambor, para dar ritmo aos passos dos
dançarinos. As cores rituais são a vermelha, a azul e a branca. As vestes, de
penas de ema e de palha, são especialmente preparadas para a dança ritual. Os
homens e as mulheres carregam longas taquaras nas mãos e com elas desenvolvem
uma coreografia, ora batendo as taquaras com as de outros dançarinos, ora
batendo-as no chão. O final da dança é marcado pela reunião dos dançarinos em
círculo e a união das taquaras, sobre as quais é colocado um guerreiro, que é
então erguido e ovacionado. Na versão dos Terena, apenas homens dançam o
Bate-Pau.
Assim como entre os Terena e os Layana (outros subgrupos Guaná), entre os
Kinikinau também havia curandeiros denominados Koixomunetí. Esses
curandeiros realizavam rituais nos quais utilizavam um chocalho e um penacho de
penas de ema, elementos comuns a curandeiros de outros grupos de origem
chaquenha, como os Mbayá-Guakuru, ancestrais dos Kadiwéu. Atualmente, ao que se
sabe, não há mais Koixomunetí entre os Kinikinau. Muitos, hoje, são
adeptos de religiões cristãs, principalmente de orientação protestante.
Em relação à CULTURA MATERIAL, a cerâmica elaborada pelas mulheres Kinikinau
dá continuidade a uma antiga tradição cultural Guaná. Escolhida, além de
outros, como símbolo de diferenciação do grupo em relação aos Kadiwéu – a
despeito de ser inspirada nos desenhos da cerâmica Kadiwéu – e outros
indígenas, a cerâmica Kinikinau desempenha um importante papel como sinal
diacrítico. O material tem sido comercializado, sobretudo, na cidade de Bonito.
- ALVES, M. M. Os Kinikinau: dados históricos e vocabulares. Três Lagoas: CPTL/ UFMS, 2003. 8 p.
- BENCINI, R. Escola de índio, professor índio. Finalmente! Revista Nova Escola, São Paulo, edição 171, abril de 2004.
Comentários
Postar um comentário